# Carta da Fundadora

**Núcleo de Ciência e Performance Esportiva** (nome provisório)
Porto Velho, Rondônia — 2026

> **Aviso institucional:** O NCPE encontra-se em fase de estruturação e ainda não representa oficialmente nenhuma instituição de ensino, órgão público ou entidade esportiva.

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Escrevo esta carta antes de o núcleo existir de fato, e isso é proposital. Prefiro registrar agora, com honestidade, o que me levou até aqui, do que descrever depois uma história arrumada que não corresponde ao que aconteceu.

**O NCPE não nasce como um projeto pronto. Nasce como uma construção coletiva. Queremos reunir pessoas que acreditam que ciência, esporte e impacto social podem transformar realidades.**

Essa frase é o começo e também o limite do que posso prometer. Não existe equipe formada, não existe parceria firmada, não existe professor orientador designado e não existe pesquisa em andamento. Existe uma proposta escrita, um conjunto de documentos públicos e um convite.

## O que me incomoda

Convivo com duas ausências que se repetem e que quase nunca são tratadas como o mesmo problema.

A primeira é a do estudante que atravessa metade do curso sem nunca ter encontrado uma porta de entrada na pesquisa. Ele ouve falar de iniciação científica em corredor, imagina que precisa de um currículo que ainda não tem, não sabe a quem perguntar e chega ao trabalho de conclusão de curso lendo um artigo original completo pela primeira vez. Não é falta de capacidade. É falta de porta.

A segunda ausência é a do atleta que treina sem acesso a informação confiável. O atleta amador, o adolescente de projeto social, o professor de escola pública que também é técnico do time e o treinador que aprendeu na prática buscam orientação onde conseguem, e o que costuma chegar até eles é conteúdo de rede social sem origem verificável. Enquanto isso, a literatura científica já reúne bastante conhecimento sobre carga de treino, prevenção de lesões, nutrição esportiva e saúde mental no esporte. O conhecimento existe. O caminho entre ele e quem precisa dele é que está interrompido.

Essas duas ausências se alimentam. Estudante que não entra na pesquisa não vira o profissional que traduz evidência para a comunidade. Comunidade sem acesso a evidência não gera demanda que puxe a pesquisa para os problemas locais. O ciclo se fecha, e a Região Norte segue com uma fatia pequena da produção científica nacional em ciências do esporte.

## Por que aqui e por que agora

Porto Velho não é um detalhe geográfico da proposta. Construir o núcleo aqui, com estudantes daqui, sobre problemas daqui, é a escolha central. Um núcleo montado na região responde a perguntas que nascem na região, e essas perguntas raramente aparecem na agenda de quem estuda o esporte a milhares de quilômetros de distância.

Começo agora porque adiar tem custo. Cada semestre em que nada existe é um grupo inteiro de estudantes que passa sem oportunidade de aprender método, e é mais um ciclo de atletas orientados por informação sem lastro.

## O que já está escrito

Deixei três documentos prontos antes de convidar a primeira pessoa, porque acredito que a régua de um projeto se mede pelo que ele registra, não pelo que ele anuncia.

- O **manifesto**, com a missão, os valores, os quatro pilares e uma seção que declara abertamente o que o núcleo ainda não é.
- A **estrutura organizacional**, com as instâncias, as atribuições de cada cargo e as regras de decisão.
- O **guia de sucessão**, que descreve como quem ocupa um cargo prepara quem vem depois.

Escrever o guia de sucessão antes de existir uma primeira gestão pode parecer exagero. Não é. Núcleo estudantil costuma morrer quando quem fundou se forma e leva junto os acessos, os contatos e a memória das decisões. Quero que o NCPE sobreviva à minha saída, e para isso preciso construí-lo desde o início como algo que não depende de mim.

## O que eu trago e o que não trago

Sou estudante e atleta, e venho criando projetos nas áreas de esporte, inovação, comunicação e liderança. É isso. Não trago título acadêmico, publicação, cargo institucional nem resultado de pesquisa, e prefiro que quem chegue saiba disso antes de decidir se quer participar.

Trago a disposição de organizar, de documentar e de sustentar a proposta ao longo do tempo, mesmo quando a novidade passar. E trago a convicção de que interdisciplinaridade não é enfeite de apresentação: uma lesão de joelho em atleta jovem envolve biomecânica, sono, alimentação, carga de treino e condições de vida, e nenhuma formação isolada dá conta disso sozinha.

## O convite

Procuro pessoas de fisioterapia, medicina, educação física, nutrição, psicologia, enfermagem, engenharia, computação, design, comunicação, administração e de qualquer curso que se reconheça no problema. Não peço experiência prévia em pesquisa, não peço período mínimo de curso e não peço currículo.

Peço três coisas, e elas são o contrato inteiro:

- Interesse genuíno pelo problema, e não pela linha no currículo
- Disposição para trabalhar com método, o que inclui aprender o método
- Compromisso com o que for assumido, incluindo devolver a função de forma organizada se um dia decidir sair

Quem entrar agora não encontra um núcleo funcionando. Encontra uma sala vazia com a planta na parede e a chance de decidir onde ficam as paredes. Prefiro convidar assim, com o tamanho real do que existe, do que reunir pessoas com uma promessa que eu teria de desmontar na primeira reunião.

Se isso faz sentido para você, escreva para **ncpe.contato@gmail.com**. A primeira reunião é aberta, e a pauta é pública.

Com respeito e com expectativa,

**Daniela Sales de Campos**
Fundadora — NCPE
Porto Velho, Rondônia, 2026

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*Carta redigida na fase de estruturação do núcleo. Descreve intenção e convite, e não atividades realizadas.*
